A partir do momento em que adotamos a Kyra, percebemos que existem histórias tão bonitas sobre adoção que merecem ser mostradas, por texto e foto. Pensando nisso, criamos a sessão Meu xodó, onde as pessoas podem contar um pouquinho sobre como conheceram seus pets. Para participar, basta encaminhar o texto e muitas imagens para o e-mail contato@confrariadopet.com.br. Hoje, começamos com a amizade da Ju e do Fred, um guaipeca pra lá de bonitão. Leiam e emocionem-se:

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Por Juliane Kramer

Sempre me senti frustrada por não tem um cachorro, mas apesar de querer muito ter um companheiro, já estava conformada que isto só aconteceria em um futuro longínquo (leia-se quando fosse morar sozinha) já que enfrentava uma resistência feroz em casa. Minha querida mãe sempre achou que acabaria “sobrando” pra ela a tarefa de cuidar do bichinho, dizia que cachorro fazia bagunça, que não queria em apartamento, que no fim ninguém cuidava e aquelas coisas todas que ela podia supor pelas experiências anteriores com animais, na minha infância.

Para ser sincera, racionalmente também havia resistência em mim. Quando pensava sério na possibilidade tinha medo de me comprometer a cuidar de alguém. Pensava nas coisas que iria abrir mão, dos desafios de ensinar, ser paciente. Na minha cabeça sempre foi um compromisso sério, seríssimo. Acho que a história de comparar cães a filhos vem também daí. Não só da relação que vai sendo construída em ver aquele ser crescer, ensiná-lo, dar suporte, mas também por aquele ditado que diz que se a gente esperasse a hora certa pra ter, essa hora não chegaria nunca.

Comigo e com o Fred não foi diferente. Caminhando na rua, vi na vitrine de uma pet com uma plaquinha “ADOTE-ME” um cãozinho encolhido. Sim, eu sempre fui daquelas que parava pra olhar cãezinhos na vitrine, mas esse foi diferente, me fez entrar. A funcionária da loja tinha encontrado ele, os irmãos e a mãe quase sendo atropelados, no meio da rua ali em frente, e os acolhido. Alguns filhotes estavam muito mal de saúde e tinham ido para tratamento, outros tinham sido adotados e ele estava ali, sozinho, com ameaça de voltar pra rua.

A moça da pet foi logo botando aquela bolinha no meu colo, apesar da minha insistência em dizer que só queria olhar. Tá, já olhei! Disse, já me remoendo por dentro e o colocando de volta na casinha. Não sabia ainda que já não havia saída. Quando fechei a portinha o choro desesperado dele como se eu fosse a única pessoa do mundo que pudesse ajudá-lo me mostrava que talvez eu fosse de fato. Talvez, sem mim, o destino dele fosse o mesmo de 80% dos cães abandonados que nunca acham um lar.

Já chorando junto com ele fui tomada não só pela a necessidade, mas também pela obrigação de ajudar ele. Peguei no colo e sai correndo da loja, só dizia pra atendente, que preenchia cadastro e separava algumas amostras grátis de ração para me dar: – “Vamos lá antes que eu desista!”. Tinha saído pra dar uma volta com a minha irmã, estávamos sem nada, só com a roupa do corpo, mas naquele momento parecia que tínhamos tudo e mais um pouco, em nossas mãos. Tínhamos uma vida :)

Por uma “coincidência” pra quem assim quiser chamar, uma quadra atrás tínhamos achado no chão uma nota de R$20,00 – definitivamente era nosso dia de sorte -Usamos o dinheiro pra pagar um sachê de ração pastosa e o táxi de volta pra casa, já com nosso amiguinho no colo, nossas pernas bambas não conseguiam ir caminhando.

Em casa complô formado, todo mundo esperando a matriarca da família chegar e ver a novidade. A reação não foi das melhores, ficou quase uma semana sem falar direito, só nos olhava pra dizer: – Arranja alguém pra adotar esse bicho!

Alguns dias, e uma assembleia familiar depois, veio o dia do fico! E o Fred virou oficialmente membro da família. Não culpo a Dona Mª Beatriz, ele é realmente irresistível. A carinha manhosa é o primeiro comentário de quem olha pra ele, cusco querido que anda pedindo carinho pra quem passa e se esfregando nas pernas alheias. Não tem quem resista, família, namorado, todos apaixonados e grandes parceiros na criação dele. É um conquistador esse Fred e eu, fui a primeira da coleção dele.

Hoje, ele me tem por inteiro e me ensinou muito sobre responsabilidade e lealdade. Recentemente, fez um ano que está com a gente, e posso dizer sem medo que mudou muito a de todos, é a alegria da casa! E as obrigações? São bem mais fáceis do que parece quando a gente se abre pra experiência. Acaba-se fazendo tudo por prazer, tamanho é o amor envolvido nesse cuidado com o outro.

Quem tem um amigo como um cão nunca está sozinho, o rabinho balançante na minha chegada, dia após dia sem desanimar, me mostra a riqueza dessa relação que nunca “esfria”, o amor sempre está no seu nível máximo com os peludinhos.

Faz bem pra saúde, pro humor e pro social. Ensina a pensar no outro, a expandir o olhar, ajuda a pegar gosto pelas caminhadas, a ver menos TV e mais o sol, a ter paciência, a saber ensinar, além de ser um bom treino pra ter filhos. Na verdade, eu aprendi que dedicar seu tempo há alguém que precisa de atenção e carinho para viver melhor, seja quem ou o que for, é um bom treino para ser humano.

ENVIE A SUA HISTÓRIA E DE SEU XODÓ PARA contato@confrariadopet.com.br. Participe!